Avanços no ambiente regulatório de energia 15 anos de atuação na modernização do setor elétrico brasileiro.

15 anos da parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)

Parque eólico Mel II, RN. Créditos: Arquivo Neoenergia.

Do planejamento à inovação:

A parceria da Cooperação Brasil-Alemanha com a ANEEL

Os crescentes desafios das mudanças climáticas demandam adaptações e tecnologias inovadoras em todos os setores – inclusive no elétrico. No Brasil, não apenas com foco na redução de emissões, mas também na segurança do fornecimento de energia, a diversificação da matriz elétrica já é uma realidade. O país tem ampliado o uso das fontes renováveis intermitentes (eólica, fotovoltaica, heliotérmica, entre outras), com destaque para a geração local e descentralizada, a chamada Geração Distribuída.

O avanço das fontes renováveis no Brasil é expressivo: em 2009, a energia eólica, solar e biomassa representavam apenas 7,4% da capacidade instalada, segundo o Plano Decenal de Energia. Em 2024, atingem 28,7%, com projeções de 35,1% até 2034.

Plano Decenal de Expansão de Energia 2019 – Sumário Executivo do PDE 2019.pdf

Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 – Publicações

Usina híbrida Xavantes, RR. Créditos: Tauan Alencar/MME

A energia solar fotovoltaica teve crescimento expressivo: entre 2012 e 2024, sua capacidade instalada saltou de 7,2 MW para 52,1 GW, evitando a emissão de mais de 63 milhões de toneladas de CO₂. No mesmo período, o Brasil subiu da 15ª para a 6ª posição no ranking global de capacidade instalada em energia eólica.

Outro avanço é a disseminação de projetos-piloto e conhecimentos sobre os Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) – ou BESS (Battery Energy Storage Systems) – considerados como prioridade para o setor. Esses sistemas armazenam a energia gerada por fontes renováveis e a disponibilizam em períodos de baixa produção, como à noite, no caso da energia solar. Segundo a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), cada gigawatt de potência em baterias pode gerar economia anual de até R$ 900 milhões.

Carro elétrico na Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional, PR. Créditos: Soninha Vill/ GIZ

Na eletromobilidade, o crescimento também é notável: em 2024, no número de veículos leves elétricos emplacados aumentou 89%, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), refletindo uma mudança no comportamento do consumidor. 

A ANEEL se consolida nesse contexto como ente regulador, garantindo segurança jurídica, instrumentos adequados para a expansão da infraestrutura e modernização do setor com transparência e sustentabilidade.

A parceria entre a ANEEL e o Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, iniciada há cerca de 15 anos, tem sido essencial para a continuidade da modernização do setor e aceleração da transição energética. Diversos projetos de cooperação contribuem para um ambiente regulatório mais robusto, incentivando fontes renováveis, inovação e fomento da eficiência energética.  

Esta publicação apresenta um panorama da trajetória da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável no ambiente regulatório de energia elétrica no Brasil, destacando iniciativas, resultados e impactos. A organização do conteúdo segue cinco eixos temáticos: Geração Distribuída, Modernização do Setor Elétrico, Eficiência Energética, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), e Diversidade, Inclusão e Equidade. Por fim, aponta perspectivas futuras e reforça o compromisso com um setor elétrico mais resiliente ao clima, justo e ambientalmente responsável.

GWEC’s Global Wind Report 2025 – The definitive guide to the wind industry

Parcerias em números

de cooperação entre GIZ/ANEEL
+ 0 Visitas
publicados (ou realizados, elaborados, concluídos)
+ 0 Estudos
Regulatórias
+ 0 Propostas
de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação apoiadas
+ 0 Chamadas
Capacitadas em ações de diversidade, inclusão e equidade
+ 0 Pessoas

Inversores de sistema fotovoltaico em funcionamento. Créditos: Soninha Vill/GIZ

Desde 2012, estabeleceu-se um marco na geração de energia elétrica no Brasil, com a regulamentação que permitiu aos consumidores gerarem sua própria energia a partir de fontes renováveis (solar, eólica, biomassa, entre outras) e devolver o excedente à rede de distribuição, gerando créditos para abater no consumo. A criação e o aprimoramento desse sistema de compensação de energia, ou net metering, recebeu o apoio da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável em diversas frentes.

Placas solares instaladas no estádio Pituaçu, BA. Créditos: Shirley Stolze/Neoenergia

Energia Fotovoltaica

Sob a coordenação da GIZ, foram desenvolvidos estudos técnicos baseados em padrões internacionais, visitas técnicas a outros países e experiências piloto com o sistema de compensação. Um dos destaques foi a usina solar fotovoltaica no Estádio Pituaçu, instalada pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), atual Neoenergia, por meio do Programa de Eficiência Energética (PEE), regulado pela ANEEL.

Inaugurada em 2011, a usina do Pituaçu serviu de base para a proposta de regulamentação publicada pela ANEEL no ano seguinte. Com recursos do PEE, o conceito foi expandido pelo projeto Estádios Solares, idealizado pelo Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Instituto Ideal), com instalações nos estádios do Maracanã (RJ), no Mineirão (MG), na Arena Pernambuco (PE) e no Mané Garrincha (DF).

Resolução normativa 482/2012 (REN 482/2012) e Marco Legal da Micro e Mini Geração Distribuída.

Ferramentas educativas foram desenvolvidas para apoiar a implementação de projetos, como o Guia de Microgeradores Fotovoltaicos (100 mil exemplares distribuídos) e o Simulador Solar, que orienta os consumidores no dimensionamento de um sistema FV.

Com base nas experiências do Fundo Solar, uma iniciativa conjunta da GIZ, Instituto Ideal e Grüner Strom Label, um estudo avaliou a necessidade de exigências redundantes, como a manutenção de um dispositivo para desligamento externo dos sistemas de energia, o Dispositivo de Seccionamento Visível (DSV) – equipamento usado em redes elétricas para interromper o fluxo de energia de forma segura. A avaliação mostrou que os inversores possuem função similar no caso de desligamento da rede por parte das distribuidoras, o que levou à exclusão da exigência, simplificando normas e impulsionando o setor.

Em 2013, a ANEEL compartilhou sua experiência na criação de sistemas de compensação de energia em um evento que reuniu representantes de órgãos governamentais do Brasil, Chile e México na capital mexicana.

Cartilhas educativas. Créditos: Soninha Vill/ GIZ

Placas solares instaladas na sede da ANEEL, DF. Créditos: Arquivo ANEEL

Novas modalidades geradoras

Com a revisão do Marco Regulatório da Geração Distribuída (GD), em 2015, (Resolução Normativa 687/2015), novas modalidades foram incluídas: incluindo autoconsumo remoto, múltiplas unidades consumidoras e geração compartilhada via consórcios e cooperativas. Para disseminá-las, a GIZ se uniu à Confederação Alemã de Cooperativas (DGRV) e à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) para desenvolver um Modelo de Negócios e um Guia de Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída Fotovoltaica – simulador para cooperativas de energia solar. Rodadas de apresentações sobre as novas modalidades aconteceram em diversas regiões do país entre 2017 e 2018.

Guia de Microgeradores Fotovoltaicos

Resolução Normativa 687/2015

Guia de Constituição de Cooperativas de Geração Distribuída Fotovoltaica

Em 2018, como exemplo prático, a ANEEL instalou, com o apoio da GIZ, uma usina fotovoltaica em sua sede em Brasília, com a meta de reduzir em até 20% o consumo anual de energia elétrica.

Placas solares instaladas no Estádio do Maracanã, RJ. Créditos: Florian Kopp/GIZ

Consolidação da legislação

Com o crescimento do setor, surgiu a necessidade de maior segurança jurídica e regulatória. Em 2022, foi sancionada a Lei 14.300/2022, que instituiu o Marco Legal da Geração Distribuída. A principal mudança foi a criação de uma nova estrutura tarifária para o modelo de compensação, refletindo melhor os custos e benefícios da GD ao sistema elétrico. 

A reformulação da legislação ocorre em duas etapas:

  1. A primeira, concluída em maio de 2024, definiu diretrizes para o cálculo da nova tarifa, considerando transmissão, distribuição, geração, perdas e sinal locacional, conforme o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). 
  2. A segunda, sob responsabilidade da ANEEL e com apoio da GIZ, aplicará as diretrizes e efetivará os cálculos para definir o novo modelo de compensação.

Inovação e a Modernização Contínua do Setor Elétrico

Imagem gerada por IA representando a evolução da iluminação. Créditos: Google Gemini

Imagem ilustrativa para o tema Modernização do Setor

A introdução de novas tecnologias, aliada à crescente demanda e à diversificação da matriz energética, impulsionou a modernização do setor elétrico brasileiro, com avanços legislativos e no planejamento estratégico em diversos temas norteadores.

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Carregamento de veículo elétrico. Créditos: Soninha Vill/GIZ

Eletromobilidade

No tema de eletromobilidade, a Resolução Normativa nº 819/2018 regulamentou a recarga de veículos elétricos por concessionárias e permissionárias de serviço público de distribuição. A GIZ, no âmbito do projeto Sistemas de Propulsão Eficiente (PROMOB-e), apoiou o processo com visitas técnicas à Alemanha e intercâmbio entre especialistas dos governos brasileiro e alemão, contribuindo para o desenho da normativa. Segundo a ABVE, 25% dos municípios já contam com infraestrutura de recarga, e a expectativa é de mais de 15 mil eletropostos até 2025.

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Imagem gerada por IA – Google Gemini

Abertura do Mercado de Energia

A GIZ também apoiou o mapeamento de melhorias para a integrar novos agentes ao Ambiente de Contratação Livre (ACL). De acordo com dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), as mudanças normativas resultaram na ampliação do mercado e embasaram a proposta de abertura total do mercado em discussão em 2025, permitindo que todos os consumidores adquiram energia no mercado livre. Outro destaque foi o apoio à definição de critérios para a redução ou limitação de geração em tempo real, com o relatório “Sistemas de Energia do Futuro: Soluções regulatórias para redução ou limitação da geração na operação de tempo real” servindo de base para a Consulta Pública nº 045/2019

Painel elétrico. Créditos: Soninha Vill/ GIZ

Recursos Energéticos Distribuídos (REDs)

Com o crescimento de fontes descentralizadas – aquelas que geram e armazenam energia, como a geração solar e sistemas de armazenamento de bateria – a GIZ coordenou o estudo Redefinição do Modelo de Negócio da Distribuição, propondo que alternativas regulatórias para melhorar o ambiente de negócios, planejamento coordenado de GD para a conexão à rede, nova remuneração para distribuidoras e novos modelos de contratação. Outros estudos apoiaram a inserção de REDs por meio de propostas de modelos regulatórios (como resposta à demanda, usinas virtuais e microrredes), que subsidiaram discussões da ANEEL com diversas partes interessadas.

A GIZ também apoiou a Tomada de Subsídios nº 11/2021, que investigou modelos regulatórios para geração distribuída, armazenamento de energia, veículos elétricos e serviços ancilares, com base em boas práticas internacionais. E em  2024, coordenou ainda o estudo “Medições Inteligentes”,  que avaliou os impactos da inserção de REDs no sistema de distribuição, seguindo o Decreto nº 10.411/2020, que estabelece as diretrizes para a realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR) e os parâmetros estabelecidos pela Norma de Organização ANEEL nº 40/2013. O resultado foi a abertura da Tomada de Subsídio n.º 013/2024 voltada para o aprimoramento do estudo “Avaliação de modelos regulatórios para implantação de sistemas de medição inteligentes no sistema de distribuição brasileiro”.

Resolução Normativa nº 819/2018

Sistemas de Propulsão Eficiente (PROMOB-e) – giz.de

Sistemas de Energia do Futuro: Soluções regulatórias para redução ou limitação da geração na operação de tempo real

Consulta Pública nº 045/2019

Linha de transmissão Linhão de Tucuruí. Créditos: Ricardo Botelho/MME

Unidades de Cadastro e Vida Útil de Ativos

Outro avanço foi a revisão da Resolução Normativa 674/2015, que atualizou a codificação das Unidades de Cadastro (UCs) e a definição de vida útil dos ativos elétricos. A GIZ apoiou a ANEEL na identificação das UCs a revisar, na metodologia para alteração de codificação ou vida útil, e na elaboração de um relatório final. Todo material foi disponibilizado na Biblioteca da ANEEL.

Linha de transmissão. Créditos: Tauan Alencar/MME

Perspectivas

Com a rápida evolução tecnológica e a mudança no modelo de consumo e geração, é essencial que a regulação acompanhe essas transformações. A cooperação entre a ANEEL e a GIZ tem sido decisiva para garantir um ambiente regulatório atualizado, com segurança jurídica, e favorável à inovação, contribuindo para um setor competitivo, sustentável e inclusivo. O processo de modernização segue em curso, abrindo caminho para novos avanços.

Redefinição do Modelo de Negócio da Distribuição

Tomada de Subsídios nº 11/2021

Decreto nº 10.411/2020

Norma de Organização ANEEL nº 40/2013

Tomada de Subsídio n.º 013/2024

Avaliação de modelos regulatórios para implantação de sistemas de medição inteligentes no sistema de distribuição brasileiro

 Resolução Normativa 674/2015

Eficiência Energética

Usina solar flutuante em Fernando de Noronha, PE. Créditos: Vitor Souza/GIZ

Monitoramento e coleta de dados

Ao final do projeto Energias Renováveis e Eficiência Energética– ProFREE, em 2015, a GIZ iniciou uma nova fase da cooperação com a ANEEL voltada à Eficiência Energética. O primeiro passo foi o desenvolvimento de um banco de dados para monitorar o Programa de Eficiência Energética (PEE). A GIZ contribuiu com uma metodologia de gerenciamento de programas que otimizou os fluxos de trabalho internos ligados ao PEE e ao Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), resultando em aumento de produtividade e maior economia de energia.

Foto 16_Soninha Vill-GIZ

Sala de monitoramento. Créditos: Soninha Vill/ GIZ

Usina eólica, CE. Créditos: Soninha Vill/GIZ

Leilões

Em 2019, com o projeto Sistemas de Energia do Futuro, a GIZ apoiou a estruturação do 1º Leilão de Eficiência Energética, contribuindo para a Consulta Pública que orientou a elaboração do edital. O leilão visou a contratação de entidades que desenvolvessem ações de Eficiência Energética no município de Boa Vista (RR), com foco na redução do consumo de energia. Embora a iniciativa não tenha tido continuidade até 2025, sua base técnica remete à experiência acumulada desde 2009 com o primeiro leilão de energia eólica no país – que contratou 71 projetos totalizando 1.805,7MW. Esse leilão inaugurou um modelo competitivo e transparente, que impulsionou o setor eólico de 2GW para 30GW, e investimentos que ultrapassam US$ 48,6 bilhões.

Avaliação do Programa de Eficiência Energética (PEE)

Entre 2021 e 2023, também com o projeto Sistemas de Energia do Futuro, foi realizada a primeira avaliação do PEE em 20 anos. O trabalho abordou a implementação, governança, resultados e impactos do programa, revelando benefícios significativos – especialmente entre consumidores de baixa renda – tanto na economia de energia quanto na geração de empregos. As conclusões subsidiam diretrizes para aprimorar a política pública e influenciaram novos trabalhos da cooperação, para além da ANEEL.

Monitoramento e Avaliação do PEE: Propostas para o
Aprimoramento

Sistemas de Energia do Futuro

Consulta Pública

Bolivien Energie. Créditos: Carlos Alba/GIZ

Cooperação Trilateral

Entre 2018 e 2020, uma cooperação trilateral entre Alemanha, Brasil e Bolívia, permitiu que o país andino conhecesse modelos exitosos de geração distribuída, e normas de etiquetagem – certificação de produtos para o uso do selo de eficiência energética. O projeto, Eficiência Energética (no setor industrial e etiquetagem) e Geração Distribuída na Bolívia, resultou em uma estratégia nacional de eficiência energética, formalizada por meio de Decreto Supremo. 

Em 2023, uma nova cooperação trilateral foi formada entre Brasil, Alemanha e Honduras para ampliar o acesso da população à eletricidade, principalmente em áreas rurais. O Projeto de Energia Luz para a Vida inspirou-se nos avanços do Brasil, que, em oito anos, ampliou a cobertura e acesso aos serviços de eletricidade, passando de 74% em 2005 a 97,6% em 2013, segundo o Sistema de Informação Energética da América Latina e Caribe (sieLAC-OLADE). A iniciativa conta com apoio técnico da ANEEL e financiamento dos governos da Alemanha e do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Eficiência Energética (no setor industrial e etiquetagem) e Geração Distribuída na Bolívia

Projeto de Energia Luz para a Vida

Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

Caminhão braço robótico. Créditos: Arquivo Neoenergia

Usina Fotovoltaica de Várzea da Palma, MG. Créditos: Ricardo Botelho/MME

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) desenvolveu seu Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI Estratégico) com o objetivo de alavancar a inovação no setor elétrico brasileiro por meio de iniciativas focadas e estratégicas. O programa facilita a criação de um ambiente propício ao progresso tecnológico, à difusão da cultura de inovação e ao aprimoramento de capacidades técnicas, estimulando a cooperação entre empresas, universidades e centros de pesquisa.

Fundamentado em princípios que valorizam a geração de conhecimento científico e tecnológico voltado ao desenvolvimento sustentável, o PDI tem como pilares a desburocratização de processos, a promoção da transparência e o estímulo a soluções inovadoras com resultados efetivos. Desde 2011, a GIZ apoia a ANEEL nas chamadas públicas, fortalecendo o compromisso conjunto com a modernização e a inovação no setor energético.

Biogas plant and wind turbine in rural Germany

Imagem: iStock Photo

Biogás

No âmbito do PDI de Biogás, que apoiou 16 projetos com um volume total de 106 milhões de euros, a GIZ ofereceu suporte técnico a oito deles, com investimentos de 34 milhões de euros. Os projetos apresentaram soluções de aproveitamento energético de resíduos agropecuários e urbanos, com aplicações integradas à suinocultura, à indústria sucroalcooleira e à sistemas de saneamento básico – promovendo ganhos ambientais, energéticos e econômicos.

Foto 21_Renata Moura

Usina Fotovoltaica de Várzea da Palma, MG. Créditos: Ricardo Botelho/MME

Energia Solar

Em 2011, especialistas brasileiros e alemães apoiaram pela primeira vez uma chamada pública voltada à energia fotovoltaica. O programa possibilitou que distribuidoras investissem seus recursos de P&D em pesquisas relacionadas à implementação de usinas fotovoltaicas entre 0,5 e 3 MWp. Como resultado, foram implantadas diversas unidades geradoras e usinas, pioneiras tanto no aspecto regional quanto tecnológico. As iniciativas contribuíram para a geração de conhecimento e abriram caminhos para o crescimento dessa fonte solar na matriz energética brasileira. A iniciativa surgiu após visita técnica da ANEEL à Alemanha, organizada pela GIZ, que promoveu o intercâmbio entre os especialistas brasileiros e alemães.

Usina heliotérmica. Créditos: Arquivo GIZ

Heliotérmicas

Com o objetivo de estudar o potencial da energia heliotérmica – internacionalmente conhecida como Concentrated Solar Power (CSP) – a ANEEL lançou, em 2015, um novo PDI. A CSP se destaca pela possibilidade de armazenar calor para gerar eletricidade ou uso de processos térmicos, mesmo na ausência de sol. Essa característica contribui para a estabilidade da rede e aumentando o fator de capacidade e despachabilidade (ajuste e controle de produção de energia elétrica sob demanda) das usinas. Ao todo, 77 empresas manifestaram interesse em financiar projetos na área. Como resultado, foi inaugurada a primeira usina heliotérmica do Brasil, localizada no complexo de Porto Primavera, em Rosana, estado de São Paulo.

Caminhão braço robótico. Créditos: Arquivo Neoenergia

Modernização dos Programas de PDI

Em 2021, a GIZ apoiou a ANEEL no processo de aperfeiçoamento e revisão dos procedimentos do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PROPDI). O processo resultou em uma nova normativa com diretrizes para inovação e desenvolvimento tecnológico no setor elétrico, que fundamentou a aprovação do Plano Estratégico Quinquenal de Inovação (PEQuI) 2023-2028 e do projeto de cenarização Inovælétrica 2040. 

Como reconhecimento por esse trabalho, a ANEEL recebeu o Selo Ouro de Boas Práticas Regulatórias, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que reconhece atos normativos alinhados às melhores práticas nacionais e internacionais.

Amostras de Combustível de Aviação Sustentável ou SAF (Sustainable Aviation Fuel). Créditos: Arquivo GIZ

Hidrogênio Verde

Em 2024, por meio do projeto H2Brasil, a GIZ atuou como Entidade Interveniente na Chamada Estratégica de Hidrogênio no Contexto do Setor Elétrico Brasileiro. A GIZ acompanhou todas as etapas do processo, desde a avaliação inicial e até a execução e análise dos resultados dos projetos selecionados.

Diversidade, Inclusão e Equidade

Profissionais carregam placas solares. Créditos: Soninha Vill/GIZ

Profissional realiza medição de corrente elétrica em painel. Créditos: Soninha Vill/GIZ

Diagnósticos

Em 2023, a ANEEL, com o apoio da GIZ, conduziu a pesquisa Mulheres no Setor Elétrico, com foco nos agentes envolvidos em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI) sob sua gestão. O estudo revelou um cenário de desigualdade de gênero no setor: apenas 20% das pessoas envolvidas nesses projetos eram mulheres, concentradas principalmente em funções administrativas e de serviços gerais. Enquanto isso, 78% dos cargos de liderança e 89% das vagas operacionais eram ocupadas por homens. 

Equipes da ANEEL, GIZ e MME durante o evento Mulheres de Energia em 2022. Créditos: Arquivo GIZ

Fortalecimento da Equidade no setor

Com o objetivo de contribuir para um ambiente regulatório mais equitativo, diverso e inclusivo, a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável passou a apoiar, desde 2022, o fortalecimento das capacidades institucionais da ANEEL nessa área. Com base em uma análise de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças (FOFA ou SWOT em inglês), foi desenvolvido um plano de ação que incluiu atividades capacitação, campanhas de comunicação e a revisão de políticas e práticas internas. 

O principal resultado foi a criação do comitê DiversANEEL, dedicado a questões de Diversidade, Inclusão e Equidade. A GIZ apoiou diretamente a elaboração do regimento interno e planejamento das atividades do comitê, consolidando uma estrutura permanente na Agência. 

Instalação de módulos fotovoltaicos em um centro de treinamento do SENAI. Créditos: Arquivo GIZ

Capacitação e formação de multiplicadores

A formação de lideranças e equipes também foi priorizada. Em 2024, mais de 100 gestores e membros do comitê participaram de um treinamento sobre liderança inclusiva e ações afirmativas. Já em 2023, profissionais da área de Recursos Humanos (RH) receberam capacitação específica para aprimorar as práticas de diversidade, com foco em recrutamento inclusivo e gestão de pessoas com perspectiva equitativa.

Mulheres no Setor Elétrico

Equipes reunidas para um workshop de boas práticas em gênero e direitos humanos em Brasília, DF. Créditos: Carolina Marcusse/GIZ

Linguagem Inclusiva

Em 2022, representantes da ANEEL no Comitê de Gênero, Raça e Equidade do Ministério de Minas e Energia (MME) e instituições vinculadas (COGEMMEV) participaram de capacitações sobre Linguagem Inclusiva e Não-Sexista (LINS). Como desdobramento, com apoio da GIZ, a ANEEL desenvolveu um Guia Interno, voltado à promoção da inclusão por meio do uso consciente de palavras ou estruturas linguísticas, com o objetivo de reverter situações de discriminação e ocultação de grupos socialmente marginalizados, buscando garantir visibilidade e representatividade a todos os grupos sociais.  

Além disso, anualmente, foram realizadas rodas de troca de boas práticas com COGEMMEV, o ONS e a EPE, com o intuito de promover o aprendizado conjunto e estimular a sinergia entre instituições públicas na temática de diversidade, inclusão e equidade. 

Mulheres no Setor Elétrico

De olho no Futuro

As mudanças e atualizações do ambiente regulatório de energia no Brasil representam avanços importantes para a transição energética no país. O aprimoramento das normas para geração descentralizada e distribuição de energia, a ampliação de modelos de comercialização de energia e o fortalecimento de mecanismos para integração de energias renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN) têm sido pilares para o novo cenário que o país pretende construir. 

Desde 2017, a capacidade instalada de fonte solar fotovoltaica cresceu exponencialmente, passando de aproximadamente 100 MW para mais de 50 GW, em 2025, impulsionada por um marco regulatório mais robusto, e com maior previsibilidade. No campo da comercialização, o mercado livre cresceu significativamente, representando atualmente mais de 35% do consumo total de eletricidade no país, com maior competitividade e flexibilidade para os consumidores. Além disso, a implementação de novos mecanismos para a integrar fontes renováveis, como o aprimoramento nas regras de leilões de energia e a introdução de novos modelos de contratação de flexibilidade, tem permitido uma incorporação mais eficiente de fontes como solar e eólica, que juntas já representam mais de 40% da matriz elétrica brasileira. 

O crescimento da participação das Fontes Variáveis Renováveis (FRE), tanto na geração centralizada quanto como Recursos Energéticos Distribuídos (RED), tem transformado profundamente a operação do sistema elétrico brasileiro. As fontes despacháveis, especialmente a hidráulica e as térmicas, vem diminuindo sua participação no setor, com projeções de 61% contra 39% de potência instalada de FRE, conforme indica o Plano Decenal de Expansão de Energia 2031.

Legenda: Técnico em frente à Usina Solar Flutuante no Açude do Xaréu, em Fernando de Noronha, PE. Créditos: Lucas Franzoni/GIZ

Entretanto, garantir segurança e qualidade no fornecimento de energia elétrica continua sendo um desafio que requer ações estruturantes em planejamento, operação e regulação do setor. A expansão e integração das novas tecnologias precisam estar alinhadas ao desenvolvimento social e responsabilidade ambiental, assegurando uma transição justa e equitativa. Isso requer um ambiente regulatório sólido e, ao mesmo tempo, atrativo para os investimentos necessários.

A Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e a ANEEL mantêm seu compromisso com o aprimoramento contínuo do setor elétrico, com iniciativas para alavancar o uso de novas tecnologias para geração e armazenamento de energia, com o aumento da flexibilidade do sistema e a criação de mecanismos para novos modelos de negócio, baseados na digitalização e descentralização da geração.

O sucesso da transição energética no Brasil depende da continuidade desses esforços. O fortalecimento da parceria entre Brasil e Alemanha é fundamental para manter a liderança do país na geração de energia limpa e no desenvolvimento de soluções inovadoras para o futuro do setor elétrico.

Expediente

Diretor do Cluster Energia e Transformação Urbana

Markus Francke

Diretor do Projeto Sistemas de Energia do Futuro

Daniel Almarza

Coordenação da Publicação

Érica Santos
Helena Coutinho

Edição e Revisão

Renata Bennet
Carolina Marcusse
Renata Peña

Revisão Técnica

Equipe técnica Agência Nacional de Energia Elétrica

Autoria da Publicação

Érica Santos
Helena Coutinho
Paula Scheidt
Renata Bennet

Créditos de Infografia e Diagramação

GIZ Brasil e GIM Digital